Muitos dos clientes e amigos do selo e loja Rock Symphony sabem que todos os anos vou ao México, ao festival Baja Prog. Todos os anos, desde 98, só falhei esse ano, por conta do meu filho Pedro, que estava para nascer. No festival de 2005, conversando com o presidente da Musea Bernard Gueffier no gramado ao lado do Hotel Araíza Inn, onde têm rolado os shows da tarde, aproveitei para fazer perguntas sobre a admistração do maior selo progressivo independente do mundo e algumas coisas que me intrigavam: o fato de alguns dos CDs da Musea não estarem mais disponíveis, pedido após pedido.
Bernard me explicou o que eu mesmo já sentia na pele, estando à frente da Rock Symphony. À medida em que o catálogo aumenta, fica difícil manter todos os discos disponíveis uma vez que se esgote uma primeira ou segunda tiragem. Por quê? Exemplo dado pelo próprio Bernard: no universo de mais de 600 títulos do selo francês, havia discos com venda de apenas 10 cópias no período de um ano. E, como agora, para ele só era possível fazer tiragens de pelo menos 500 cópias, uma nova prensagem do CD em questão representaria um estoque para 50 anos, levando-se as vendas do período de 12 meses anterior como referência. Por isso, não era economicamente viável reprensar continuamente todos os CDs que se esgotavam…
Fiquei com essa idéia na cabeça, me incomodando… Parte grande do que move selos como a Rock Symphony e a Musea é o amor pela música, no nosso caso mais especificamente pelo rock progressivo. E é ruim ter que descatalogar discos que havíamos lançado originalmente mais pelo prazer de trazê-los para um público maior do que por possíveis (parcos) lucros que tiragens de 500 a 1000 cópias poderiam trazer. Mas a realidade é dura… Mesmo com idealismo, não há como fugir aos fatos.
De qualquer forma, o conceito me assombrava todas as vezes em que eu fazia um pedido à Musea e percebia mais algum título indisponível. Até que tive uma idéia, que propus à Musea, foi aceita e já está sendo colocada em prática pela Rock Symphony! Como dei a entender no título desse post, acho que é uma prova de como pequenos selos podem se ajudar, tendo em vista tanto sua própria sobrevivência quanto a manutenção e disponibilidade da música que amamos e queremos ver florescer.
A Rock Symphony recebeu da Musea permissão para sub-licenciar 95 de seus títulos que estão fora de catálogo (títulos, está claro, para os quais a Musea não tem planos a curto e/ou médio prazo de reprensar). Desses 95, já selecionei 40 discos que serão colocados em produção em lotes de 10, ou seja, 4 fases de 10 CDs (até porque será um investimento e tanto…). A arte dos CDs terá informações tanto da Musea quanto da Rock Symphony, de maneira que a Musea possa comercializá-los como sendo seus próprios produtos. A Rock Symphony arcará com os custos de produção de 500 cópias de cada disco e enviará a título de royalties parte da tiragem do CD para o detentor dos direitos (no caso, a Musea).
Com essa solução, os títulos voltarão ao catálogo, a Musea não terá que investir um centavo e de quebra ficará com um estoque pequeno de cada disco, que poderá ser reposto tão logo se esgote (assumindo que as cópias de direito da Rock Symphony também não tenham acabado). Já a Rock Symphony ganhará ampliando seu leque de álbuns de qualidade, que poderão ser oferecidos aos nossos clientes a preços entre 25% e 50% mais baixos que os originais importados !!! Sem falar no prazer de ajudar a trazer de volta ao mercado itens desaparecidos e esgotados, mesmo em CD, há anos !
Confesso que estou muito animado com a idéia, principalmente porque alguns dos discos são muito queridos. Vejam a lista de alguns dos que já estão em produção e me digam se não estou certo:
Skryvania “Skryvania”
Eden Rose “On the way to Eden”
Pentacle “La Clef des Songes”
Waterloo “First Battle”
Wurtemberg “Rock Fantasia Opus 9″
Step Ahead “Step Ahead”
Vermilion Sands “Water Blue”
Mas, claro, isso é trabalho para uns dois anos, somando tudo. Minha idéia mais otimista é tentar lançar aí uns 2 discos desses por mês, começando já em julho agora.
E aí, que acharam dessa “ação entre amigos progressivos”?