Rio ArtRock Festival 2006: impressões sobre a décima primeira edição do evento (com direito a fofocas)
O Amagrama tocava os últimos acordes do tema final de seu show e, no fundo da platéia, era difícil acreditar que estava chegando ao fim o RARF número 11! Uau, onze edições, era o que eu pensava. Graças a toda a cautela que cercou o evento esse ano, mesmo o público pífio de mais ou menos 70 pagantes por noite não conseguiu fazer desses dias um desastre financeiro. Mas deu pra tirar algumas conclusões…
1) Se for pra depender de público, fazer o RARF em Niterói, por mais cômodo que seja por vários motivos, é muito arriscado. Os cariocas têm, pelo visto, sérias resistências para vir para cá, ainda mais à noite. E, se não houver algum medalhão na programação, fica ainda mais difícil movimentar o povo.
2) Já vi que tenho poderes mágicos. Como Paulo Coelho, sei FAZER CHOVER! No meu caso, é fácil: basta eu marcar um Rio ArtRock Festival e voilá…
3) Foi muito bom poder mais uma vez fazer a “perna macaense” do festival, com a ajuda e amizade insuperáveis de Fagundes e amigos. Sem ele e Macaé, há muito tempo já não haveria um Rio ArtRock Festival. O mesmo vale para alguns parceiros e amigos que me acompanham há bons anos, como Robson Lins, Marcelo Moura e Orlando Almeida, da Halley Discos (única loja a nos apoiar nessa edição). Sem eles, essa impossibilidade anual chamada RARF não existiria…
4) Como sempre, o evento me ensinou mais um pouco da natureza humana. De como o homem pode ser generoso, amigo e leal (como é o caso de Fagundes, Robson, Marcelo, Orlando e outros) mas também como pode ser cínico, debochado, covarde e mau caráter. Para ilustrar (e sem dar nomes aos bois), vejam só o que tive que fazer no intervalo entre os shows, no primeiro dia do festival: simplesmente, fui obrigado a pedir a um conhecido senhor de cabelos brancos com praticamente idade para ser meu pai (e com longa história no meio progressivo, sendo inclusive um dos responsáveis pelo lançamento de celebrado disco de estréia de um grupo muito querido) que PARASSE de filmar os shows com sua câmera particular ou que se retirasse do teatro.
Sim, meus amigos: em um evento independente, feito com baldes de sangue e suor todos os anos, cujo principal objetivo econômico nesta nova fase de sua existência é filmar e gravar os shows para depois oferecer a vocês produtos de qualidade, na forma de CDs e DVDs, passa-se por esse tipo de constrangimento. E não se trata de alguém estranho, mas sim de figura que já esteve em minha casa, em situações informais, e eu na casa dele! Isso, claro, anos atrás.
Ao ser confrontado em sua atitude criminosa, as desculpas esfarrapadas foram muitas (e isso apesar de ser notório que gravar shows é proibido, ainda mais num evento anunciado como gravação de DVDs). Apesar de estar escondidinho no mezanino (onde esperava, pelo visto, não ser incomodado), uma das justificativas que me deu, de ser aquilo um “registro pessoal, apenas para si”, é uma afronta à inteligência: porque nosso “amigo” é também renomado vendedor de CD-Rs e DVD-Rs. Ou seja, a fita iria direto para a “linha de produção” da pirataria, para ajudar a engordar o orçamento do nosso “amiguinho” que, diferente de mim, tem lá seu emprego garantido e NÃO DEPENDE DA MÚSICA PARA VIVER.
Tenho três filhos, um deles de apenas 7 meses. Fico me perguntando que valores pessoas como essa aí de cima deixam como legado para suas crianças.
O episódio todo terminou com o dito-cujo tendo que entregar à produção a fita gravada, que continha cerca de 30 minutos do primeiro concerto, do grupo chileno Exsimio.
Por tudo isso, digo a vocês e peço desde já desculpas: nos próximos festivais, provavelmente/infelizmente teremos revista de bolsas e mochilas, para evitar a entrada de câmeras proibidas. Mas, claro, isso não acabará com a canalhice no planeta Terra - apenas ajudará a garantir os direitos da Rock Symphony e das bandas envolvidas com o festival.
5) Todos gostaram muito do Teatro AMF Unimed. Novo, belíssimo e de muito bom gosto, com ótima acústica. Nem tudo esteve 100% (tanto de nossa parte, como produção, quando da parte da equipe do teatro) mas foi gratificante mais um vez trabalhar com Cath Bueno, que conhecemos no Municipal de Niterói. Ótima profissional e amiga. Espero sinceramente poder fazer novos shows por lá.
6) Os concertos foram todos muito satisfatórios, alguns surpreendentes. O Spin XXI deixou muita gente de queixo caído, com seu progressivo setentista e por vezes teatral! O Amagrama, também, pela qualidade (e pouca idade) de seus músicos. O Exsimio deslumbrou os fãs de rocks mais tensos, mais à la KC. E o Flor de Loto, pelo visto, foi a banda predileta entre as quatro, provavelmente por unir à sua música folk-prog a figura carismática do frontman Johnny - ele subiu ao palco usando uma veste colorida, meio índia, uma máscara ritual e muitos instrumentos de sopro (como a zampona - espécie de flauta de Pan - e a concha que soprava no começo do show). Quero deixar aqui meu agradecimento muito especial, de todo coração, às bandas que estiveram esse ano no RARF: sem seu despreendimento, seu amor pela música e sem os sacrifícios financeiros que todos fizeram, não teríamos tido esses quatro grandes shows!
Agora, findo o festival, volto todas as energias à loja virtual e aos CDs e DVDs que já estão em produção. Falta muito pouco para saírem os DVDs de Tarkus e Apocalypse. O Tryo, também, já está em fase de edição e mixagem.
Então, é isso, amigos. Como vêem, não peço muito - basta apenas que os senhores de cabeça branca desse mundo, aqueles sem caráter e sem consideração pelo trabalho alheio, nos deixem trabalhar. A música, o rock progressivo, a raça humana e o leite dos meus filhos agradece.
21 de Novembro de 2006 @ 09:36
Galera,
Acho que de uma forma geral o evento está de parabéns. Além da costumeira
chuva ocasional, novamente problemas no som são as marcas do Art Festival
negativas. As bandas escolhidas (haja diversidade) são o ponto positivo, além do preço.
Enquanto não se pensar em divulgar pesado pela mídia, com promoções antecipadas e flashs na TV, com apoio de alguma é lógico, o fenômeno rock in Rio não será transposto para o prog rock. Se pensarmos bem, o tipo de som não agrada a adolescentes, mas é coqueluche entre o público mais velho que possui fartos recursos para assisti-lo onde quer que seja.
Quase todos tem carro, liberdade para sair de casa, poder consumo para
CDs e DVDs e por aí vai.
Por que não organizar um evento a cada lançamento de CD? Quanto custaria um show no dia do lançamento do DVD do Tarkus?
Porque não aporveitar as bandas que vem sempre tocar na Argentina e marcar eventos em POA, Curitiba, Rio e Sampa?
Existem diversas maneiras de baratear o Art Rock Festival. A Trama que é uma gravadora independente realiza seus eventos (festas e seminários) com patrocínio da Phillips, Vivo e Natura. O jabá das rádios comerciais, pode ser vencido pelas web rádios (Pop Goiaba, Mundial, Interferência,etc)
As TVs universitárias não cobram para fazer matéria. Por que não vamos na PUC, Estácio e UFF?
E principalmente conte com a ajuda dos prog heads. Todos se dispõem a ajudar sem cobrar nada por isso. É bom lembrar que o Marillion quando faliu, excursionou com financiamento dos fãs americanos. E por aí vai.
Aguardo seu retorno quando vc tiver um tempo. Meus telfones são 2722-3546 e 9889-7156
Paulo